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El Niño pode superar eventos históricos e elevar risco climático global em 2026

Projeções do ECMWF indicam aquecimento extremo no Pacífico e aumentam temor de um dos El Niños mais intensos já registrados


Novas projeções climáticas indicam aquecimento de até 3°C acima da média no Pacífico e aumentam alerta sobre impactos na agricultura global

O El Niño 2026 voltou ao centro das atenções globais após novas projeções climáticas indicarem a possibilidade de um dos eventos mais intensos já registrados na história moderna — com consequências diretas para a produção agrícola, incluindo o café.

O que os dados estão mostrando

Segundo dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o aquecimento das águas do Pacífico equatorial central pode atingir até 3°C acima da média até o fim de 2026. Esse nível colocaria o fenômeno próximo — ou acima — de eventos históricos como os registrados em 1877 e 2015, considerados os mais fortes desde o início dos registros climáticos.

O meteorologista Ben Noll, especialista em eventos extremos, destacou que este é o terceiro mês consecutivo em que diferentes modelos meteorológicos indicam a possibilidade de um El Niño de intensidade recorde. Para o professor Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, a confiança nos modelos está “claramente aumentando”.

Um dado chamou atenção especial dos cientistas: a formação rara de três ciclones simultâneos no Pacífico no último mês, que ajudaram a impulsionar grandes volumes de água quente abaixo da superfície do oceano, com anomalias de temperatura chegando a 7°C acima da média em algumas áreas.

Dados da NOAA indicam que o El Niño pode estar totalmente formado até julho de 2026, com 73% de chance de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado no planeta.

O que isso significa para o Brasil e para o café

Na América do Sul, os modelos indicam maior risco de ondas de calor em diferentes regiões. O norte do Brasil pode enfrentar períodos mais secos no segundo semestre, enquanto o sul do país pode registrar aumento das chuvas e risco de enchentes.

Para a cafeicultura, as implicações são significativas. Eventos fortes de El Niño historicamente alteram o regime de chuvas e temperatura nas principais regiões produtoras brasileiras. Minas Gerais, maior produtor de arábica do país, é especialmente sensível a variações térmicas extremas — geadas e secas prolongadas são os principais riscos para a produção.

O Espírito Santo, principal produtor de conilon, pode ser afetado por um padrão mais irregular de chuvas, impactando tanto a florada quanto o desenvolvimento dos frutos na safra 2027/28.

Por que o mercado internacional já está de olho nisso

Qualquer sinal de risco climático relevante para o Brasil tem potencial de gerar volatilidade imediata nas bolsas internacionais de café. O país é responsável por cerca de 40% da produção global de arábica e mais de 20% do robusta — uma concentração que faz com que qualquer ameaça à safra brasileira mova os mercados em Nova York e Londres.

Se os modelos climáticos se confirmarem ao longo dos próximos meses, o mercado tende a revisar as projeções de oferta global para 2027/28 — o que pode representar suporte relevante para as cotações em um momento em que os preços estão sob pressão da safra 2026/27.

O que os produtores podem fazer agora

A janela de ação preventiva ainda está aberta. Monitorar as previsões climáticas com frequência, planejar irrigação para períodos de seca mais intensa e considerar variedades mais resistentes ao calor são ações que podem fazer diferença na próxima safra. Além disso, produtores que trabalham com cafés especiais devem ficar atentos ao calendário de colheita — eventos climáticos extremos podem comprometer a qualidade sensorial dos frutos se a colheita não for bem cronometrada.


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