Mercado do café reage às preocupações climáticas com possível retorno do El Niño e risco para a próxima safra brasileira
O preço do café hoje encerrou esta quinta-feira (21) em alta nas bolsas internacionais, impulsionado pelo aumento das preocupações com o possível impacto do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27. O mercado voltou a precificar riscos climáticos para o desenvolvimento das lavouras, especialmente durante o período de florada do café no Brasil.
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica fecharam em forte valorização. O vencimento julho/26 avançou 5,10 pontos (+1,90%), encerrando a sessão cotado a 273,40 cents/lbp. O setembro/26 subiu 5,00 pontos (+1,92%), negociado a 265,50 cents/lbp. Já o dezembro/26 teve ganho de 4,35 pontos (+1,72%), fechando a 257,25 cents/lbp.
Em Londres, o café robusta também registrou alta significativa. O julho/26 avançou 71 pontos (+2,13%), encerrando a US$ 3.399 por tonelada. O setembro/26 subiu 51 pontos (+1,59%), cotado a US$ 3.265 por tonelada, enquanto o novembro/26 ganhou 51 pontos (+1,62%), negociado a US$ 3.195 por tonelada.
O que está fazendo o preço do café subir?
O principal fator de alta no mercado nesta quinta-feira foi o aumento das preocupações climáticas envolvendo o fenômeno El Niño.
Segundo análises do mercado internacional, o possível retorno do fenômeno climático pode atrasar as chuvas no Brasil entre setembro e outubro, justamente durante o período mais importante para a florada do café arábica.
Caso as precipitações realmente atrasem ou ocorram de forma irregular, existe risco de comprometimento do pegamento das flores e do desenvolvimento inicial dos frutos, fator que pode afetar diretamente o potencial produtivo da safra brasileira 2026/27.
As preocupações ganharam força após a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevar para 82% a probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho deste ano.
Além do clima, o mercado também passou por um movimento técnico de cobertura de posições vendidas. Após semanas de pressão sobre os preços devido às expectativas de grande oferta brasileira, muitos investidores aproveitaram os níveis mais baixos para recomprar contratos nas bolsas internacionais.
O mercado segue dividido entre clima e oferta
Apesar da recuperação nas bolsas, o mercado ainda continua acompanhando expectativas de ampla oferta de café no Brasil nos próximos meses.
Analistas e exportadores seguem projetando uma safra elevada para o ciclo 2026/27, principalmente com avanço da produção de conilon e recuperação em parte das áreas de arábica.
Nesta semana, representantes do setor indicaram que o Brasil pode registrar uma produção robusta neste novo ciclo, com reflexos positivos nas exportações brasileiras a partir do segundo semestre.
Esse cenário acaba limitando movimentos ainda mais fortes de alta, já que o mercado entende que o aumento gradual da oferta brasileira poderá trazer maior equilíbrio ao abastecimento global.
Mesmo assim, operadores seguem bastante atentos às condições climáticas futuras, principalmente porque o café continua sendo uma commodity extremamente sensível às mudanças no clima brasileiro.
O que isso significa para o produtor de café?
Para o produtor brasileiro, o atual cenário reforça um ambiente de elevada volatilidade e atenção constante ao clima.
Mesmo com as recentes quedas observadas nas bolsas, o mercado mostrou nesta quinta-feira que continua extremamente sensível a qualquer risco climático envolvendo a próxima safra brasileira.
Caso o El Niño realmente provoque irregularidade nas chuvas durante a florada, o mercado pode voltar a precificar riscos mais elevados para a produção futura, aumentando a volatilidade nas bolsas internacionais.
Outro ponto importante é que muitos produtores continuam capitalizados após os preços historicamente elevados observados nos últimos anos. Isso mantém uma postura mais cautelosa nas vendas e reduz a pressão imediata de oferta no mercado físico.
Além disso, o comportamento do dólar segue sendo decisivo para a formação dos preços internos do café no Brasil. Oscilações cambiais continuam influenciando diretamente o ritmo das negociações e das exportações brasileiras.
Clima volta ao centro das atenções
As previsões climáticas devem continuar dominando o comportamento do mercado nas próximas semanas.
Historicamente, períodos de possível formação de El Niño costumam aumentar a sensibilidade das commodities agrícolas, principalmente do café, devido à forte dependência do clima brasileiro para o equilíbrio global da oferta.
O mercado seguirá monitorando principalmente o comportamento das chuvas entre o inverno e o início da primavera no Brasil, período considerado fundamental para o desenvolvimento da próxima safra.
Qualquer mudança relevante nos modelos climáticos pode provocar novas oscilações expressivas nas bolsas internacionais.
Perspectiva para os próximos dias
Nos próximos dias, o mercado deve continuar dividido entre as expectativas de ampla oferta brasileira e os riscos climáticos relacionados ao possível retorno do El Niño.
Enquanto o avanço da safra brasileira ajuda a limitar movimentos mais agressivos de alta, o clima volta a trazer sustentação para os preços internacionais.
Operadores também seguirão atentos ao comportamento do dólar, ao ritmo das exportações brasileiras e à movimentação dos fundos nas bolsas de commodities.
A tendência é de continuidade da volatilidade, principalmente diante das incertezas sobre o comportamento climático para o segundo semestre.
👉 Fique à frente do mercado!
Clique aqui e participe do nosso canal no WhatsApp para receber notícias do agro em primeira mão




