Mercado do café abre com arábica pressionado pela safra brasileira e robusta sustentado por ajustes técnicos nas bolsas internacionais
Mercado abre quarta-feira em equilíbrio instável, com arábica pressionado pela safra brasileira e robusta sustentado por demanda de curto prazo; clima favorável no campo
O mercado do café iniciou esta quarta-feira (6) com desempenho misto nas bolsas internacionais, em um cenário que reflete as forças opostas que atuam sobre cada variedade.
Arábica: queda predomina em Nova York
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o mercado operava em leve queda nas horas iniciais. O contrato julho/26 recuava 135 pontos, cotado a 288,40 cents/lb. O setembro/26 caía 110 pontos, a 279,30 cents/lb, enquanto o dezembro/26 registrava baixa de 35 pontos, a 272,30 cents/lb. O contrato maio/26 apresentava comportamento diferente, com alta de 365 pontos a 305,85 cents/lb — reflexo de ajustes técnicos no vencimento mais próximo.
A pressão sobre o arábica tem origem clara: a entrada gradual da safra brasileira mantém o mercado de Nova York cauteloso. Mesmo com a colheita ainda em estágio inicial nas principais regiões produtoras, a expectativa de aumento de oferta já é amplamente precificada pelos agentes de mercado.
Robusta: ganhos em Londres
Em sentido contrário, em Londres (ICE Futures), o robusta abria com ganhos. O contrato maio/26 subia 58 pontos, a US$ 3.661 por tonelada. O julho/26 avançava 23 pontos, a US$ 3.401, o setembro/26 ganhava 14 pontos, a US$ 3.311, e o novembro/26 avançava 10 pontos, a US$ 3.241 por tonelada.
O robusta encontra suporte no curto prazo por dois motivos: ajustes de posições após oscilações recentes e monitoramento ativo do fluxo de oferta no mercado asiático. A demanda de torrefadoras europeias e asiáticas por conilon brasileiro segue firme, o que sustenta os preços mesmo com a colheita avançando no Espírito Santo.
Mercado físico: produtores cautelosos
No Brasil, o mercado físico apresenta leve melhora nas ofertas de compra, mas o ritmo de negócios ainda é lento. Produtores seguem cautelosos, aguardando maior clareza sobre preços nas bolsas e o comportamento do câmbio antes de fechar negócios.
Essa postura é compreensível: com o dólar abaixo de R$ 4,90 e as cotações do arábica em queda em Nova York, a receita em reais por saca está em nível pressionado. Muitos produtores preferem aguardar um cenário mais claro antes de comprometer volumes da nova safra.
Campo: clima favorável, mas atenção à frente fria
As condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. O tempo seco predomina no Centro-Sul, com variação de temperaturas e previsão de chuvas pontuais no Espírito Santo e sul da Bahia. Uma frente fria pode avançar nos próximos dias — sem risco de geadas até o momento, mas merecendo monitoramento constante.
Qualquer alteração nesse cenário climático pode gerar volatilidade rápida nas bolsas, especialmente no arábica, que é mais sensível a eventos climáticos extremos no Brasil.
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