Cepea aponta pressão no café em abril com expectativa de safra forte no Brasil e cenário global de oferta elevada
Indicadores CEPEA/ESALQ revelam o impacto da pressão da safra sobre os preços físicos do café brasileiro; estoques baixos em Nova York limitam as quedas nas bolsas
Os dados do mercado físico brasileiro referentes a abril revelam um cenário de pressão intensa sobre os preços do café, com quedas expressivas tanto no arábica quanto no conilon em relação ao mesmo período do ano anterior.
Arábica: queda de 26,8% em termos reais
O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, registrou média de R$ 1.811,87 por saca de 60 kg em abril, queda de 5,3% (R$ 102,02 por saca) em relação a março. Mas é na comparação anual que o dado mais chama atenção: em abril de 2025, a média havia sido de R$ 2.476,40 por saca — uma diferença de 26,8% em termos reais, já corrigidos pelo IGP-DI.
Em valores absolutos, isso representa uma perda de mais de R$ 664 por saca em 12 meses. Para um produtor com 100 sacas para vender, a diferença entre abril de 2025 e abril de 2026 é de mais de R$ 66 mil em receita bruta.
Conilon: queda ainda mais expressiva, de 40,1%
Para o café robusta (conilon), os dados são ainda mais impactantes. O Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, no Espírito Santo, registrou média de R$ 917,15 por saca em abril, recuo de 10,3% frente a março. Em relação a abril de 2025, quando a média era de R$ 1.549,59 por saca, a queda chega a 40,1% em termos reais.
O conilon acumula, portanto, uma correção muito mais severa do que o arábica — reflexo de uma combinação entre safra volumosa no Espírito Santo e redução de prêmios em relação aos recordes históricos de 2024 e 2025.
Nas bolsas: Nova York também recua
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato julho/26 encerrou abril a 285,55 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 525 pontos em relação ao mês anterior. O principal fator de pressão continua sendo a expectativa de maior oferta global com o avanço da safra brasileira.
Vale destacar, no entanto, que os baixos estoques certificados de café na ICE funcionaram como fator de suporte parcial, limitando as quedas. O cenário geopolítico no Oriente Médio também contribuiu para manter alguma cautela entre os vendedores.
O que os produtores precisam considerar
A queda de 26% no arábica e de 40% no conilon em termos reais em 12 meses coloca uma pressão significativa sobre as margens de produção. Para muitos produtores, os custos operacionais cresceram no mesmo período — impulsionados por insumos, mão de obra e frete — enquanto a receita caiu de forma expressiva.
Nesse contexto, a diversificação de estratégias comerciais se torna essencial: vender em momentos distintos ao longo do ano, explorar o mercado de cafés especiais para obter prêmios adicionais e monitorar de perto o comportamento do câmbio são ações que podem ajudar a mitigar o impacto das quedas de preço no resultado final da propriedade.
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