O mercado internacional de café iniciou esta quinta-feira (30) em forte queda, refletindo um cenário de crescente expectativa em torno do avanço da safra brasileira 2026/27. A pressão vendedora já se intensifica mesmo antes da colheita ganhar ritmo pleno, com operadores ajustando posições diante da perspectiva de maior oferta nas próximas semanas.
No mercado de café arábica hoje, negociado na Bolsa de Nova York, os contratos futuros registraram perdas expressivas logo na abertura. O contrato julho/2026 recuou para 286,80 cents por libra-peso, enquanto o maio/2026 caiu para 299,50 cents. Os vencimentos mais longos também acompanharam o movimento negativo, reforçando o clima de cautela entre investidores.
Em Londres, o café robusta também seguiu a mesma tendência de baixa. Os contratos para maio, julho e setembro de 2026 apresentaram recuos consistentes, com o mercado reagindo à expectativa de aumento da disponibilidade do produto brasileiro, especialmente vindo do conilon capixaba.
O principal fator por trás dessa movimentação é o avanço gradual da colheita no Brasil. No arábica, a safra ainda está em fase inicial, concentrada em áreas como a Zona da Mata Mineira. Já regiões importantes como Sul de Minas e Cerrado Mineiro devem intensificar a colheita apenas nas próximas semanas. No caso do conilon, o ritmo está mais adiantado, especialmente no Espírito Santo, ampliando a oferta no curto prazo e pressionando ainda mais o mercado.
As condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento da safra. O clima seco e as temperaturas mais elevadas ajudam na maturação dos grãos e aceleram os trabalhos de campo. Apesar de previsões pontuais de chuva no Sudeste, não há expectativa de impactos significativos no ritmo da colheita.
No Brasil, o mercado físico de café ainda apresenta negociações moderadas. Produtores mantêm postura mais cautelosa, sustentados por capitalização e sem pressão imediata de venda. Já os compradores adotam estratégia de espera, aguardando maior volume de café novo disponível.
O cenário geral indica que o mercado do café arábica hoje pode seguir volátil nas próximas semanas, à medida que a safra brasileira avança e a oferta se torna mais evidente. A tendência de curto prazo permanece ligada diretamente ao ritmo da colheita e ao comportamento climático nas principais regiões produtoras.




