O possível fortalecimento do fenômeno El Niño em 2026 acende um alerta importante para o mercado global de café. De acordo com projeções climáticas internacionais, há uma probabilidade crescente de que o evento climático se intensifique ao longo do segundo semestre, podendo se estender até o início de 2027.
Modelos meteorológicos indicam temperaturas mais elevadas no Oceano Pacífico, o que caracteriza um evento de intensidade moderada a forte. Esse padrão tende a alterar regimes de chuva e temperatura em diversas regiões produtoras de café ao redor do mundo, aumentando os riscos para a agricultura.
No setor cafeeiro, os impactos podem ser significativos. América Central, América do Sul, Sudeste Asiático e África Oriental estão entre as regiões mais expostas. Nessas áreas, o fenômeno pode provocar períodos de seca, calor excessivo ou chuvas irregulares, afetando diretamente o desenvolvimento das lavouras.
Na América Central, países como Guatemala, Honduras e El Salvador podem enfrentar redução de chuvas durante fases críticas do ciclo produtivo. Na Colômbia, o risco se estende tanto à safra principal quanto à safra intermediária, caso o fenômeno se prolongue.
Na África Oriental, o impacto tende a ser mais heterogêneo, com possibilidade de secas em alguns períodos e excesso de chuvas em outros, aumentando o risco de perdas na colheita. Já no Sudeste Asiático, países como Vietnã e Indonésia podem enfrentar estresse térmico e irregularidade hídrica, afetando safras futuras.
No Brasil, o cenário inicial pode ser relativamente neutro ou até positivo em relação ao risco de geadas no inverno. No entanto, o fenômeno pode alterar o regime de chuvas na primavera e impactar o desenvolvimento da safra 2027/28, especialmente em fases sensíveis como floração e enchimento dos grãos.
Apesar da expectativa de uma safra brasileira robusta em 2026/27, o mercado começa a incorporar riscos climáticos de médio prazo. Esse fator pode limitar movimentos mais intensos de queda nos preços, mesmo diante de uma oferta elevada.
No geral, o El Niño passa a ser um elemento central de atenção para traders, produtores e exportadores, já que pode redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda global de café nos próximos ciclos.
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